Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
Vilarinho da Furna está de luto

Todos os anos há fogos no Monte de Vilarinho, uns 2000 hectares distribuídos pelas serras da Amarela e do Gerês, propriedade particular de umas dezenas de proprietários de que a AFURNA (Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna) é procuradora.

Esses fogos propagam-se, normalmente, para terrenos vizinhos, como recentemente aconteceu, para as freguesias de Brufe, Germil, Ermida e Lindoso.

O incêndio deste ano, iniciado na tarde do dia 7 do corrente mês de agosto, foi presenciado, logo no começo, pelo Secretário da Direção d'AFURNA, António Barroso, Guardião de Vilarinho, que, além de o ter tentado dominar, no início, deu o alerta a que acorreram os meios de luta contra incêndios, pelos vistos, sem grande resultado. Também forneceu alimentação aos bombeiros, com o apoio financeiro d'AFURNA.

Não há memória de um incêndio tão devastador em terras de Vilarinho da Furna.

De todas as medidas preconizadas pel’AFURNA, sobretudo na sequência dos grandes incêndios de 2004 e 2006,  apenas resultou que, em 2008 e 2009, o Estado tenha disponibilizado a esta Associação, no âmbito do Plano Zonal, de apoio ao pastoreio, um subsídio já quase todo gasto na limpeza de matos, que se mostrou eficiente no combate ao próprio incêndio deste ano, mas que não foi suficiente para a limpeza de toda a área.

Uma das queixas recorrentes, por parte dos bombeiros, é a falta de acessos. Pois nós temo-los lá, só que não nos deixam sequer reparar os antigos caminhos, apesar das múltiplas e variadas tentativas que a AFURNA tem feito desde a sua criação, em 1985, já lá vão 25 anos. Nestas circunstâncias, com autorização ou sem ela, vamos, dentro em breve, abrir novos caminhos florestais.



publicado por MA às 02:41
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2 comentários:
De Rui C. Barbosa a 30 de Agosto de 2010 às 14:42
SEm dúvida que muito tem de ser feito para a prevenção dos fogos naquela zona. A paisagem está totalmente alterada e felizmente que uma mancha verde conseguiu ser salva junto de Vilarinho da Furna, forncendo assim alguma sombra a quem procura aquele recanto para descansar.

Deste texto gostava de colocar duas questões. A primeira está relacionada com o início do fogo. Se alguém o presenciou porque ainda não foi detido quem lhe deu início ou não existem pistas para tal? Por outro lado, quem impede AFURNA de abrir os tão necessários acessos nos terrenos privados? Se estes são necessários para um melhor controlo dos incêndios (e esperamos só para isso), então já deveriam estar abertos à muito tempo. Q uem não deixa reparar os caminhos? O PNPG? Parece-me estranho pois o PNPG autoriza a realização de actividades nas encostas da Serra Amarela dentro dos limites do parque.


De MA a 30 de Agosto de 2010 às 23:00
Caro Rui Barbosa,
Obrigado pelo seu comentário e pelas questões que põe.
A mancha verde, junto de Vilarinho, foi salva, sobretudo, devido à intervenção do n/ Guardião, António Barroso, que andou lá vários dias e noites, com alguns homens de Covide, a apagar reacendimentos, durante o rescaldo. Mesmo assim, arderam-lhe algumas colmeias.
Está mais que provado (foi-me explicado por um chefe de bombeiros), que a actuação dos meios aéreos, sem a intervenção dos bombeiros em terra, só serve para espalhar o fogo, como aconteceu, levando-o do local da barragem, pelas encostas de Vilarinho até aos montes do Lindoso, de Germil e de Brufe. No incêndio de Maio de 2004, iniciado na mesma zona que este ano, sem a intervenção de meios aéreos nem de bombeiros, só arderam uns 500 hectares: o fogo apagou-se por si mesmo, pois não andou a ser espalhado por helicópteros e aviões.
Quanto à detenção de quem lhe deu início, só as autoridades policiais podem responder.
Relativamente aos caminhos, já perdi a conta aos projectos que a AFURNA apresentou e que nos foram sistematicamente boicotados pelo PNPG.
Mesmo num projecto de reflorestação que fizemos, de 1997 a 2001, fora do PNPG, exactamente na encosta onde inciou o incêndio deste ano, fomos impedidos pelo entâo IFADAP, hoje IFAP, de os fazer. E os resultados não se fizeram esperar: logo no incêndio de 2004, nesse mesmo local, lá se foi toda a plantação, com o respectivo custo de 100.000 euros. Sobre o assunto, aqui estão as notícias da época:
http://afurna.no.sapo.pt/INC%CANDIO%20EM%20VILARINHO%20_2004.pdf
E algo de semelhante aconteceu com o incêndio de 2006, este já dentro do PNPG:
http://afurna.no.sapo.pt/INCENDIO_VILARINHO.pdf
É a vida!... Que vai continuar na mesma, depois das "romarias" dos (ir)responsáveis deste país, que já andam por aí a pavonear-se, nas peregrinações do costume aos locais dos incêndios.


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